segunda-feira, 22 de agosto de 2011

“Um gato não é simplesmente um gato”

Na época de Atlântida, os curandeiros usavam cristais em seus trabalhos. Os cristais eram usados como um canal de cura. Quando os curandeiros visitavam vilas distantes, eles não podiam usar os cristais, pois o povo desconfiava deles achando que eles usavam magia negra. Como eles não podiam usar cristais, os curandeiros levavam gatos que exerciam exatamente a mesma função dos cristais. O povo não tinha medo dos gatos e permitia que eles entrassem em suas casas. Desse modo, os gatos foram usados inúmeras vezes na arte da cura.                                                                    
Se uma pessoa vier a nossa casa e os gatos sentirem que essas pessoas estão alí para nos prejudicar ou que essas pessoas são do mal, os gatos nos circundarão para nos proteger.
Recentemente vivi dias de angústia por conta de duas gatas de rua. Na verdade, eu e minha vizinha Lucy compartilhamos esses momentos dolorosos. Moramos em dois edifícios vizinhos e na frente dos nossos edifícios há uma escola pública onde vivem vários gatos sem lar. Entre tantos gatos, eu e a Lucy fomos adotadas por duas gatas fêmeas que diariamente aguardavam o alimento que passamos a dar a elas.

                                                        imagens ilustrativas

Pela manhã, quando abria a porta do edifício para ir ao trabalho, elas surgiam sorrateiras esperando o seu “breakfast”  e quando eu retornava, elas vinham ao meu encontro não importando de qual lado da rua eu viesse, prontas para receber o jantar. Por outro lado, também cansei de ver em altas horas da noite, a Lucy sair em caminhada com o seu cão para também alimentar essas criaturinhas. Convivemos com elas há aproximadamente um ano e durante esse tempo, vimos elas ficarem prenhes, suas crias nascerem, mas nunca vimos nenhum dos filhotes sobreviver às condições que elas viviam. Estavam expostas ao sol, à chuva, ao frio, e o pior de tudo, aos maus tratos dos alunos da escola e também dos adultos... E mais uma vez, ambas estavam prenhes e a qualquer momento os filhotes poderiam nascer, visto o tamanho de suas barrigas.

Até então, eu e a Lucy, não nos conhecíamos, apenas de vista e foi através da ligação com essas gatas que acabamos nos aproximando e tornando cúmplices nessa empreitada de alimentá-las e tentar protegê-las.
De maneira oposta, e por essa nossa atitude, nos tornamos alvo de repúdio e críticas entre nossos vizinhos que se dizem “humanos”, mas que se sentem incomodados pela simples presença desses seres. Por diversas vezes me perguntei qual a verdadeira razão das pessoas se sentirem tão incomodadas somente com a presença deles, já que elas não tem nenhum tipo de compromisso com esses gatos. O único compromisso que essas pessoas tinham era o de chutá-los ou maltratá-los de alguma forma, se por acaso eles se distraíssem. Sim, porque eu a Lucy dávamos a elas e aos outros, por tabela, a ração que comiam e assim, eles pararam de furar os sacos de lixo nas lixeiras em frente aos prédios procurando alimento. Eu e tão pouco a Lucy, nunca pedimos a quem quer que fosse, algum tipo de ajuda para comprar o alimento que dávamos a elas.

Eles nos pedem tão pouco....apenas alimento e carinho, mas nos dão tanto em troca. O problema é que a maioria das pessoas está tão focada na sua própria infelicidade, no peso que é carregar suas próprias vidas sem graça, suas tragédias íntimas e familiares, seus casamentos infelizes, filhos problemáticos, que são incapazes de enxergar qualquer benefício que esses seres possam lhes dar.  São pessoas egoístas que acham que elas se bastam. Não conseguem enxergar que cada ser, por mais insignificante que possa parecer, tem sua importância e seu papel a cumprir nesse planeta, nem que seja o de apenas acrescentar a beleza de sua presença às nossas vidas, deixando-as mais coloridas e alegres.

Agora, voltando a história de nossas “protegidas”, felizmente e graças a alguns verdadeiros “seres humanos”, elas foram adotadas e tiveram suas crias em segurança. Ficamos de coração partido por um lado, pois não teríamos mais suas presenças todos os dias, mas muito felizes e aliviadas, por outro, porque elas estavam salvas! Através da mãe da Lucy elas foram adotadas por um casal, que eu não tenho palavras para qualificar e há pouco soubemos que ambas já tiveram suas crias e estão bem. Eles levaram duas gatas e hoje tem uma dúzia!

E quanto a você, o que o incomoda? Você é capaz de enxergar o quão pequenos e insignificantes nós também somos? 

                                 


                                             

domingo, 5 de junho de 2011

Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não “transa” o gato.

Nas minhas curiosas buscas, encontrei um texto maravilhoso do Artur da Távola sobre os gatos e não poderia deixar de compartilhar aqui no blog e cujo texto dispensa qualquer comentário. Quem tem gato entenderá o que estou dizendo. Seguem fragmentos do texto.
Pretinha, Tutuco, Kika, Meimei e Rita

Sim, o gato não pede amor. Nem depende dele. Mas, quando o sente, é capaz de amar muito. Discretamente, porém, sem derramar-se. 
O gato é um italiano educado na Inglaterra. Sente como um italiano, mas se comporta como um lorde inglês. 

Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não “transa” o gato. Ele aparece então como uma ameaça, porque representa essa relação precária do homem com o (próprio) mistério. O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além, por dentro e pelo avesso. Relaciona-se com a essência
Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende do afago.
A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver.
Por isso, quando surge nele um ato de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é algo muito verdadeiro que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe, pois significa um julgamento.
O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode (ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós)
Se há pessoas agressivas em torno ou carregadas de maus fluídos, eles se afastam. Nada dizem, não reclamam. Afastam-se. Quem não os sabe "ler" pensa que "eles não estão ali", "saíram" ou "sei lá onde o gato se meteu". Não é isso! Precisamos aprender a "ler" porque o gato não está ali. Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, ele está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir.
O gato vê mais e vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluídos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma chance de meditação permanente a nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério
O gato é um monge portátil à disposição de quem o saiba perceber.
Monge sim, refinado, silencioso, meditativo e sábio monge, a nos devolver as perguntas medrosas, esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado. O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante, à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e de novas inter-relações, infinitas, entre as coisas.
O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção.
Desatentos não agradam os gatos. Barulhentos os irritam. Tudo o que precise de promoção ou explicação os assusta. Ingratos os desgostam. Falastrões os entediam. O gato não quer explicação, quer afirmação.
Vive do verdadeiro e não se ilude com as aparências. Ninguém em toda a natureza aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato!
Lições de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular. Lição de salto. Lição de silêncio. Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contato com o mistério, com o escuro, com a sombra. Lição de religiosidade sem ícones... e por aí vai!!!!...
ARTUR DA TÁVOLA




quinta-feira, 28 de abril de 2011

Os gatos passam mais de 30% de seu tempo cuidando da beleza. Adoram estar limpos e com o pelo bem assentado.

"Além dos cuidados com o corpo, os gatos também são meticulosos com sua caixinha de areia e sempre cobrem a sujeira. A preocupação com a higiene é tanta que eles não usam a caixinha se estiver suja."
Após uma série de acontecimentos ruins, numa daquelas fases da vida que todos nós passamos pelo menos uma vez,  um dia ao me olhar no espelho notei o quanto “largada” eu estava.  A roupa estava limpa e bem passada, o cabelo estava em ordem, claro que cuidava da higiene, mas estava faltando alguma coisa. Na verdade, fazia tudo isso mecanicamente. Não sentia mais nem prazer de me olhar no espelho...e olha que, confesso, sou bastante narcisista. Onde tem um espelho, lá estou eu ajeitando o cabelo, olhando o meu perfil, ajeitando a blusa.  
Um dia, ao chegar em casa, enxerguei algo que estava ali sempre, todos os dias, mas que nunca tinha visto por esse ângulo: lá estava ela....  se lambendo!

Ao me ver, levantava-se  e vinha correndo em minha direção para também me lamber! Eu acho que o ato de se lamber para os gatos, não é apenas para se manter limpos, como num banho, mas eu acredito que também é uma forma de amor para com eles mesmos.
Eu adorava e ainda adoro receber suas lambidas e tenho consciência que é a maneira que ela tem de me dizer “eu te amo” e ela é fiel... não lambe ninguém mais além de mim e ela mesma. Isto é, só lambe quem ela realmente ama e isso, claro, começa por ela!
Ao tomar consciência do significado desse ato para ela, também tomei consciência que era justamente isso que estava faltando em mim:  esse amor por mim mesma, que me faz sentir viva, bonita, divertida, positiva.... Faltava eu “lamber” a mim mesma, cuidar de mim com todo o carinho e dedicação que eu merecia. Afinal eu sou a pessoa mais importante para mim!
Então, devagar, mas com atenção, fui me lambendo um pouco a cada dia, me dando pequenos presentes, me permitindo pequenos prazeres,  como fazer uma viagem de fim de semana para encontrar uma amiga querida que há tempo não via, ou até mesmo, o direito de não fazer nada quando era essa a minha vontade, deixando todos os afazeres se acumulando. Afinal, um dia eu teria que fazê-los.

Assim, sem que eu notasse, quando dei por mim, eu tinha feito as pazes comigo mesma e de novo me encontrava perdidamente apaixonada pela pessoa mais importante do planeta: EU! Hoje o amor é tanto que posso distribuí-lo com todos com quem convivo e é claro, principalmente, com ELA que me mostrou tudo  isso da forma mais singela e sutil que só nossos peludos sabem fazer. 
Agora, me conte, com que frequência você anda se "lambendo"?  



segunda-feira, 28 de março de 2011

“Homens e gatos possuem a mesma região do cérebro responsável pelas emoções.”

Essa constatação é muito interessante...  A convivência com os nossos pets pode nos mostrar muitas coisas, se você realmente prestar atenção neles, é claro.
Gosto de brincar com a minha gata e observar como ela reage a cada situação.           
Como disse anteriormente, eles se tornam nossos donos. Tem todo o poder sobre nós e é fantástico como eles acabam conseguindo tudo o querem da gente sem que pra isso façam exigências, gritem conosco ou imponham condições.
Da mesma forma, quando contrariados eles reagem e nos demonstram de alguma maneira que ficaram chateados.
Isso fica muito claro quando eu dou uma bronca na Kika, quando a contrario de alguma forma ou até mesmo quando ela quer minha  atenção, mas naquele momento não posso retribuir ou simplesmente não notei.  A reação dela vem instantaneamente: ela se afasta um pouco de  mim e fica parada de costas pra mim, porém na minha frente para que eu a veja. Penso que  ela é capaz de ficar assim por horas, até que eu note e resolva então me reparar. 
Mas basta apenas uma palavra minha, ela me olha sorrateiramente sobre um dos ombros, mas como ainda não está certa que estou me reparando, não se move. Eu insisto, então não resta mais dúvida.... ela se vira e vem correndo em minha direção para receber meus carinhos e minhas desculpas. 
Ronronando e fechando os olhos, vai curtindo cada afago como se nada tivesse acontecido. E, pode acreditar, já me perdoou e o melhor de tudo, ela nem se lembra mais da bronca recebida.
Então, trazendo essa mesma situação para nós humanos, quando alguém nos fere, nos dá uma “bronca”, nos  sentimos ofendidos, nosso orgulho ferido e muitas vezes um sentimento de vingança nos invade e ficamos remoendo e revivendo a situação que nos causou esses sentimentos,  imaginando uma forma de revidar ou inverter essa situação.
Muitas vezes a outra pessoa nem mesmo notou que nos magoou, ou até mesmo o fez mas sem a intenção... Mesmo assim, quando acometidos  desses  sentimentos negativos, ficamos cegos. E como é difícil tentar olhar por outro ângulo e enxergar a posição do outro!
 Exigimos muitas explicações, muitos pedidos  de desculpas e muito tempo é dispensado até que sejamos  capazes de perdoar o outro. Mas será que mesmo perdoando, somos capazes de esquecer?  Na maioria das vezes, não! Pode ter certeza que um dia, no meio de outra discussão inflamada os resquícios desse momento serão jogados na cara um do outro.
Aí eu me pergunto: se homens e gatos possuem a mesma região do cérebro responsável pelas emoções por que reagimos tão diferente quando vivemos situações semelhantes? Particularmente eu acredito que o que atrapalha a nós humanos é a “razão”. Acho que ainda não conseguimos manter um equilíbrio entre a conexão coração e cérebro, entre sentimento e raciocínio e nossos animais, como são seres irracionais, seres não pensantes, reagem de forma muito mais simples e muito mais saudável, sentindo e pensando apenas com o coração!
E você, o que pensa a respeito?




terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Gatos... quem nunca teve um, desconhece os prazeres de tão boa e sábia companhia!


Queria criar um blog onde pudesse falar sobre as dificuldades nos relacionamentos
interpessoais e de repente me vejo falando sobre gatos. Um ser rico em sabedoria, 
sensibilidade, independência, auto-confiança, respeito e livre de pudores. 
Mas, como nada é por acaso e após alguns anos sendo propriedade de um destes seres,
pude observar e admirar ainda mais esse ser evoluído e livre de qualquer conceito pré concebido.

Hoje, confesso, sou completamente apaixonada por essas criaturinhas peludas.

A idéia é colocar aqui seus hábitos e manias e fazer uma analogia conosco, seres 
humanos e nossas dificuldades em lidar com nossas emoções, sentimentos, resistências 
instaladas há tempos dentro de nós e que muitas vezes não sabemos o que fazer com tudo isso.
E você pode estar certo de que....Eles sabem o que fazer sempre e sem medo de ser feliz!

Espero que esse seja o primeiro post de uma série e que você possa dar sua opinião,
fazer sugestões ou simplesmente relatar suas experiências com seu animal de estimação,
independentemente de ser gato.