domingo, 5 de junho de 2011

Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não “transa” o gato.

Nas minhas curiosas buscas, encontrei um texto maravilhoso do Artur da Távola sobre os gatos e não poderia deixar de compartilhar aqui no blog e cujo texto dispensa qualquer comentário. Quem tem gato entenderá o que estou dizendo. Seguem fragmentos do texto.
Pretinha, Tutuco, Kika, Meimei e Rita

Sim, o gato não pede amor. Nem depende dele. Mas, quando o sente, é capaz de amar muito. Discretamente, porém, sem derramar-se. 
O gato é um italiano educado na Inglaterra. Sente como um italiano, mas se comporta como um lorde inglês. 

Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não “transa” o gato. Ele aparece então como uma ameaça, porque representa essa relação precária do homem com o (próprio) mistério. O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além, por dentro e pelo avesso. Relaciona-se com a essência
Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende do afago.
A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver.
Por isso, quando surge nele um ato de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é algo muito verdadeiro que não pode ser desdenhado. É um gesto de confiança que honra quem o recebe, pois significa um julgamento.
O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode (ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós)
Se há pessoas agressivas em torno ou carregadas de maus fluídos, eles se afastam. Nada dizem, não reclamam. Afastam-se. Quem não os sabe "ler" pensa que "eles não estão ali", "saíram" ou "sei lá onde o gato se meteu". Não é isso! Precisamos aprender a "ler" porque o gato não está ali. Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, ele está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir.
O gato vê mais e vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluídos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma chance de meditação permanente a nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério
O gato é um monge portátil à disposição de quem o saiba perceber.
Monge sim, refinado, silencioso, meditativo e sábio monge, a nos devolver as perguntas medrosas, esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado. O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante, à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e de novas inter-relações, infinitas, entre as coisas.
O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção.
Desatentos não agradam os gatos. Barulhentos os irritam. Tudo o que precise de promoção ou explicação os assusta. Ingratos os desgostam. Falastrões os entediam. O gato não quer explicação, quer afirmação.
Vive do verdadeiro e não se ilude com as aparências. Ninguém em toda a natureza aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato!
Lições de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular. Lição de salto. Lição de silêncio. Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contato com o mistério, com o escuro, com a sombra. Lição de religiosidade sem ícones... e por aí vai!!!!...
ARTUR DA TÁVOLA




4 comentários:

  1. Querida, mais do que lindo esse texto do Artur da Távola. E como ele, vários escritores e outras personalidades conhecidas são unânimes em louvar os felinos, sábios e fofos como só eles conseguem ser.
    Tenho plena consciência de que tenho muito mais a aprender com eles do que eles comigo...
    Na última semana, por exemplo, um curso intensivo de como enfrentar dignamente o sofrimento e a aproximação do seu próprio fim, ministrado com louvor pela doçura da Bianca, que agora se encontra no céu dos gatinhos olhando por nós...!
    É, você vai ter assunto para sempre... o aprendizado com um gato nunca termina!
    Beijo,

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  2. Dê, obrigada pelo comentário... Isso é mesmo um fato, vários escritores e outras grandes pessoas possuem gatos como companhia. Na verdade, penso que são seres afins que se atraem e se completam. "Similium atrai similium" ...Seres do bem só pode ter em sua volta outros seres do bem! Sinto muito por sua perda recente, mas sabemos que tudo tem um tempo, uma duração e uma razão de ser....Vocês trocaram e ensinaram uma a outra o que cada qual precisava. E assim a vida vai se renovando! Bjs carinhosos, Jô

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  3. Artur leu a alma do gato como ele (o gato) lê a nossa. Acredito que todos os felinos sejam assim. Transcendentais. Como eu já lhe disse, quem ama os gatos são especiais.
    Jô, só felicidade para você.
    Lucy

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  4. Como não amar os gatos???? Criaturas sensíveis, delicadas, inteligentes, curiosas....rsss.
    Amo, de paixão e o texto exprime exatamente isso.

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